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Autor Tópico: REJEIÇÃO EM ULTIMO GRAU (vale a pena ler...acreditem)  (Lida 680 vezes)
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Bébi
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« em: Quinta 21 de Setembro, 2006, 05:58:21 »



Durante cinco anos ninguém me tocou. Ninguém. Nem uma pessoa. Nem minha esposa. Nem meus filhos. Nenhum dos meus amigos. Ninguém me tocou. Eles apenas me viam. Falavam comigo. Eu podia sentir amor na voz dessas pessoas quando se dirigiam a mim. Podia ver a preocupação expressa nos seus olhos. Porém, eu não podia sentir o toque delas. Não havia nenhum toque. Nenhuma vez sequer. Ninguém me tocava.
Eu desejava ardentemente algumas coisas que são comuns para ti. Abraços calorosos. Um toque no ombro para chamar a minha atenção. Um beijo nos lábios para roubar um coração. Esses momentos foram arrancados do meu mundo. Ninguém me tocava. Ninguém acidentalmente se esbarrava em mim. O que eu não teria dado para que alguém se esbarrasse em mim, para que o meu ombro roçasse no ombro de outra pessoa…Mas durante cinco anos isso não aconteceu. Como pode ser isso? Não me era permitido caminhar livremente pelas ruas. Mesmo os rabinos mantinham distância de mim. Não me era permitido participar dos cultos na sinagoga. Não era bem-vindo nem ao menos na minha própria casa.
Eu era intocável. Era um leproso. E ninguém me tocava. Somente até ao dia de hoje.



Certo ano, durante a colheita, eu percebi que estava mais fraco ao segurar na foice. As pontas dos meus dedos tinham-se tornado insensíveis, umas após outras. Em pouco tempo, ainda podia seguir na ferramenta, porém, dificilmente senti-la. No final da estação, eu já não sentia nada. Era como se a minha mão que segurava o cabo, fosse de outra pessoa – a capacidade de sentir, foi-se. Não disse nada á minha esposa, mas sabia que ela suspeitava de algo. Como é que ela não poderia suspeitar? Eu carregava a minha mão agarrada ao meu corpo como um pássaro ferido.

Certa tarde, mergulhei as minhas mãos numa bacia com água para lavar o meu rosto. A água tornou-se vermelha. Um dos meus dedos estava a sangrar livremente. Nem eu mesmo sabia que me tinha ferido. Como será que me cortei? Com uma faca? Será que a minha mão deslizou pela borda afiada de algum utensílio de metal? Deve ter sido isso, mas não senti nada.
“A tua roupa também ficou sujaâ€, disse a minha esposa com uma voz meiga. Ela estava atrás de mim. Antes de olhar para ela, olhei para as manchas carmesins no meu manto. Parecia que era a vez em que me demorava mais á frente de uma bacia, a olhar para a minha mão. De alguma maneira, eu sabia que a minha vida estava a ser alterada para sempre.
- Devo ir contigo, dizer ao sacerdote? – Perguntou ela.
- Não – suspirei profundamente – vou sozinho.

Ao voltar o meu olhar para ela, contemplei as lágrimas nos seus olhos. Em pé, ao seu lado, estava a nossa filha de três anos de idade. Ao abaixar-me, fitei atentamente o seu resto e carinhosamente afoguei a sua face, sem dizer sequer uma palavra. O que é que eu poderia dizer? Coloquei-me de pé e olhei de novo para a minha esposa. Ela tocou no meu ombro e na minha mão sã, e eu toquei nas mãos dela. Seria o nosso toque final.
Cinco anos se passaram, e ninguém me tinha tocado desde então, até hoje. O sacerdote não me tocou. Ele olhou para a minha mão enrolada num pano. Olhou para o meu rosto, sob a sombra da tristeza. Eu nunca atribui a ele culpa ou falta pelo que disse. Ele estava apenas a fazer conforme fora instruído. Cobriu a sua boca e, estendendo a sua mão com a palma para a frente, disse-me: “Tu estás imundoâ€. Com apenas um pronunciamento, perdi a minha família, a minha fazenda, o meu futuro, os meus amigos.

A minha esposa encontrou-se comigo nos portões da cidade com um saco de roupas, com pão e algumas moedas. Ela não falava. Agora os amigos tinham compreendido. Aquilo que eu tinha visto nos olhos dela era uma antecipação do que passei a ver em cada olhar a partir de então: uma mistura de compaixão e medo. à medida que eu dava um passo para a frente, eles davam um passo para na direcção contrária. O horror que sentiam a respeito da minha doença era maior do que a sua preocupação pelos sentimentos do meu coração – então eles e todas as demais pessoas que vi a partir daquele momento davam um passo para trás.

Oh, que repulsa eu causava naqueles que me viam. Cinco anos de lepra deixaram as minhas mãos torcidas. Já não tinha mais algumas das pontas dos meus dedos, bem como porções de uma das orelhas e do meu nariz. Alguns pais, quando me viam, agarravam nos seus filhos. As mães cobriam a face deles. As crianças apontavam para mim com olhos arregalados.
Os farrapos que estavam sobre o meu corpo não podiam esconder as minhas feridas. Nem mesmo o pano que estava enrolado no meu rosto podia esconder a ira que havia no meu olhar. Nem eu procurava escondê-la. Quantas noites, elevei os meus punhos magoados em direcção ao silencioso céu? “O que é que eu fiz para merecer isto?†Mas nunca obtive resposta.

Algumas pessoas pensavam que eu tinha pecado. Outras pensavam que os meus pais tinham pecado. Não sei. Tudo o que eu sei é que á medida que o tempo passava aquilo tudo me cansava muito: dormia numa colónia para leprosos, e sentia o mau cheiro. Sentia-me cansado do detestável sino que era obrigado a usar á volta do meu pescoço para alertar as pessoas sobre a minha presença. Como se isso fosse necessário. Bastava apenas um olhar e os gritos começavam: “Imundo! Imundo! Imundo!â€
Há várias semanas ousei caminhar pela estrada que leva á minha vila. Eu não tinha intenção de entrar. O céu sabe que eu apenas queria olhar novamente para os meus campos, contemplar o meu lar, e ver, quem sabe, a face da minha esposa. Eu não a vi. Porém, vi algumas crianças a brincar num gramado. Escondi-me atrás de uma árvore e fiquei a observar as crianças a correr e a saltar. As caras delas eram tão alegres e os seus sorrisos tão contagiantes que por um momento, um breve momento, senti-me como se não fosse mais um leproso. Senti-me como um fazendeiro, como um pai, como um homem.

Inspirado na alegria delas, saí detrás da árvore, pus-me de pé, respirei profundamente… e elas viram-me. Antes que eu pudesse esconder-me outra vez, elas viram-me. E gritaram. Começaram a correr, e separaram-se. Contudo, uma delas demorou-se a seguir as outras. Fez uma pausa e olhou na minha direcção. Não sei, e não posso afirmar, mas penso, realmente penso, que era a minha filha. E também não sei, não posso dizer com certeza, mas acho que estava á procura do seu pai.
Aquele olhar foi o que me fez dar o passo que dei hoje. Sem duvida que foi um passo arrojado. Arriscado, certamente. Mas o que é que eu tinha a perder? Ele chama-se a si mesmo de Filho de Deus. Ele ouvirá a minha queixa e me matará, ou aceitará a minha súplica e me curará. Estes eram os meus pensamentos. Aproximei-me dele de um jeito desafiador. Não movido por fé mas por uma ira desesperadora. Deus tinha permitido que uma calamidade alcançasse o meu corpo; e Ele era capaz tanto de curá-la como de acabar com ela.

Então eu O vi, e quando O vi, fui transformado. Tu deves recordar que sou um fazendeiro e não um poeta, então não sou capaz de encontrar palavras para descrever o que vi. Tudo o que posso dizer é que as manhãs judaicas são tão refrescantes e o nascer do sol tão glorioso, que ao olhar para Ele uma pessoa é capaz de esquecer do calor do dia anterior e das feridas do passado. Quando olhei para a face dele, vi um amanhecer judaico.
Antes que Ele falasse, percebi que se importava comigo. De alguma maneira percebi que odiava esta doença tanto quanto – porém mais do que – eu. A minha raiva foi transformada em confiança, e a minha ira tornou-se em esperança.
Por detrás de uma rocha, vi Ele a descer uma montanha. Uma multidão de pessoas o seguia. Quando Ele estava apenas a alguns metros de mim, saí detrás da rocha e gritei:

“Mestre!â€

Ele parou e olhou na minha direcção, como também dezenas de pessoas. Senti como se uma corrente de medo percorresse a multidão. Braços agitavam-se á frente de rostos assustados. Crianças escondiam-se rapidamente por detrás dos pais. “Imundo!â€, alguém gritou. Uma vez mais, eu não os culpo. Eu era como uma massa moribunda. Porém, eu mal podia ouvi-los ou vê-los. Já tinha presenciado o pânico milhares de vezes. Sua compaixão, contudo, nunca pude contemplar. Todos deram um passo para trás, excepto Ele. Ele deu um passo na minha direcção. Na minha direcção.
à cinco anos atrás, a minha esposa deu um passo na minha direcção. Ela foi a ultima pessoa a fazê-lo. Agora Ele o fez. Eu não me movi. Apenas disse: “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.†Se Ele tivesse me curado através de uma oração, eu teria me alegrado. Mas Ele não ficou satisfeito por apenas falar comigo. Ele aproximou-se, e me tocou. Há cinco anos a minha esposa me tinha tocado. Ninguém mais me tocara desde então. Até hoje.

“Queroâ€. As Suas palavras foram tão amorosas quanto o seu toque. “Sê limpo!†O Seu poder inundou o meu corpo como a água através de um campo arado. Num instante, senti calor onde outrora havia entorpecimento. Senti força onde antes tinha atrofia. Minhas costas endireitaram-se e a minha cabeça foi levantada. Se antes eu só conseguia ver as coisas na altura do seu cinto, agora os meus olhos contemplavam a Sua face. A Sua face sorridente.
Ele colocou as mãos sobre a minha face e trouxe-me para tão perto de si que eu podia sentir o calor da Sua respiração e ver os Seus olhos tímidos. “Não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece a oferta que Moisés determinou, para lhe servir de testemunhoâ€.

Então é para lá que eu vou. Mostrar-me-ei ao meu sacerdote e o abraçarei. Mostrar-me-ei á minha esposa e a abraçarei. Tomarei a minha filha nos meus braços e a abraçarei. Nunca me esquecerei Daquele que ousou tocar-me. Ele poderia ter me curado através de uma palavra. Mas Ele quis fazer mais do que me curar. Ele quis me honrar, dar-me dignidade para que eu tivesse um nome. Imagine isso…indigno do toque humano, mas digno do toque de Deus.


Foi assim que Max Lucado imaginou como o Leproso de Mateus 8 se sentiria...
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« Responder #1 em: Terça 26 de Setembro, 2006, 04:05:17 »

Deby... esta história é INCRIVEL!!!!! está mesmo um espectaculo, e quando sabemos que foi mesmo real... ainda mais nos deixa espantados... Mas sabem, nós eramos assim... por muito que nos tentemos desculpar, NÓS ERAMOS ASSIM... e houve alguem que se aproximou de nós e nos tocou, e nos amou... mas...
E AGORA?Huh? O QUE FAZEMOS PARA ELE??? Temos pensar seriamente em que ponto está a nossa relação com Deus... em que ponto está a nossa relação com Aquele que nos tocou?...

Obrigado Deby....
(Ela escreveu isto tudo à mão!!!!)
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