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« Responder #2 em: Segunda 03 de Abril, 2006, 19:27:36 » |
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Passava do meio-dia, o cheiro a pão quente invadia aquela rua, um sol escaldante convidava a todos para um refresco... Ricardinho não aguentou o cheiro bom do pão e disse: - Pai, estou com fome!!!
O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência... - Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu estou com muita fome, pai!!!
Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede ao filho para aguardar na calçada enquanto entra na padaria à sua frente... Ao entrar dirige-se a um homem no balcão: - Meu senhor, estou com o meu filho de apenas 6 anos à porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois saí cedo à procura de emprego e nada encontrei, eu peço-lhe que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome deste menino. Em troca posso varrer o chão do seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!!
Amaro, o dono da padaria, estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, que pede comida em troca de trabalho, e pede que ele chame o filho...
Agenor pega no filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois se sentem junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo... Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua...
Para Agenor, uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que tinham ficado em casa apenas com um punhado de fubá... Grossas lágrimas desciam dos seus olhos na primeira garfada...
A satisfação de vero seu filho a devorar aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e a lembrança da sua pequena família em casa, foi demais para o seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades ... Amaro aproxima-se de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar: - Ó Maria!!! A tua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até a chorar de tristeza d'esse bife. Será que é sola de sapato?!?!
Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer...
Amaro pediu-lhe então que sossegasse o seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho... Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começou a almoçar, já que a sua fome já estava nas costas... Após o almoço, Amaro convidou Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório... Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, vivia de pequenos "biscates aqui e acolá", mas que há 2 meses não recebia nada... Amaro resolveu então contratar Agenor para os serviços gerais na padaria, e com pena dele, faz-lhe um cabaz de alimentos para pelo menos 15 dias...
Agenor com lágrimas nos olhos agradeceu a confiança daquele homem e marcou para o dia seguinte o início do trabalho...
Ao chegar a casa com toda aquela "fartura", Agenor sentiu-se um novo homem cheio de esperança; sentia que a sua vida iria tomar novo impulso... Deus estava a abrir-lhe mais do que uma porta; era toda uma esperança de dias melhores...
No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava à porta da padaria ansioso para iniciar o seu novo trabalho... Amaro chegou logo a seguir e sorriu para aquele homem que nem ele sabia porque estava a ajudar... Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele chamava-o para ajudar aquela pessoa...
E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o trabalhador mais dedicado daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com os seus deveres...
Um dia, Amaro chamou Agenor para uma conversa e falou-lhe da escola que abrira vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar... Agenor nunca esqueceu do seu primeiro dia de aula: a mão trémula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta...
Doze anos passaram-se desde aquele primeiro dia de aula... Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros, advogado, a abrir o seu escritório para um cliente, e depois outro, e depois mais outro...
Ao meio-dia ele desceu a um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o seu "antigo funcionário" tão elegante no seu primeiro fato...
Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados, que não podem pagar, e os mais abastados, que lhe pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos de necessidade, um prato de comida, diariamente, à hora do almoço...
Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho, o agora nutricionista Ricardo Baptista...
Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos os que conheciam um pouco da história de cada um...
Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que à mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido...
Ricardinho, o filho, mandou gravar na frente da "Casa do Caminho", que seu pai fundou com tanto carinho:
"Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite no seu coração e alimente a sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!"
(História verídica)
(enviada pelo user: a.p.n.)
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